domingo, 15 de novembro de 2009
Las mentiras de la vida
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
¡Feliz Cumpleaños, mamá!
domingo, 20 de setembro de 2009
Sol de otoño

As folhas ainda estão no chão. Muitas molhadas pela chuva dos últimos dias. Outras já apodreceram e até viraram adubo para a mesma árvore de onde caíram. Mas tem também algumas que estão verdes e vivas. Essas são as que mais causam dor ao olhá-las caídas no chão, ao lado da árvore que está ao mesmo tempo seca e molhada.
Não podem voltar para o lugar de onde saíram. Mas outras nascerão na próxima primavera. A parte boa é que pelo visto, neste ano, o inverno se converterá em verão de um dia para o outro. E assim, com um calor tropical, a árvore poderá recuperar sua majestosa copa antes do previsto, antes mesmo da primavera. Estará, quem sabe, mais forte para quando chegar o próximo outono.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Se acabó la alegría del verano

As folhas começaram a cair de uma maneira rápida e inesperada. É triste, impactante. A árvore que ostentava sua copa verde e majestosa, agora parece morta. A mesma árvore que havia crescido rápido nas outras estações, causando inveja por sua beleza e harmonia, está seca e sem vida. No chão, as folhas que caíram viraram lembranças castanhas de uma época feliz.
Na rua, as pessoas parecem mais tristes. O tempo ficou frio e todos já colocaram seus abrigos que os protegem do mundo exterior. Voltamos a usar essas capas que prendem nossos corpos, escondem os verdadeiros sentimentos e nos impedem de compartir nossa essência mais bonita. Tudo por culpa de um sol que se apagou de repente e de um outono que chegou antes da hora.
Tenho vontade de voltar para o meu Brasil, onde pelo menos o sol brilha o ano todo.
domingo, 23 de agosto de 2009
Hegemonía brasileña en Valencia
Brincadeiras à parte, o Rubinho merecia essa vitória. E se é aqui pertinho de mim, melhor ainda, mesmo que eu não o tenha visto. Depois de tanta confusão, de tanta crítica e de quase ter ficado sem
Enquanto isso, Valencia irá voltando à normalidade. Como é um circuito urbano, uma parte da cidade, próxima ao Porto, fica fechada durante esses dias. O bloqueio não é somente nas ruas que são usadas na competição, mas em outras tantas para organizar os acessos e por medidas de segurança também.
Fotos: Felipe Ramirez
De cima para baixo:
1 - Esse blogueiro que vos fala.
2 - Uma das ruas do circuito.
3 - Galpões do Porto transformados em boxes.
4 - Ferrari, sem Felipe Massa, prepara carro para corrida.

terça-feira, 4 de agosto de 2009
És possible parlar dues llengües a la vegada?
É possível falar dois idiomas ao mesmo tempo?
Parece que sim. Na verdade, com certeza que sim e até em três pelo visto. Viver numa sociedade bilíngue tem suas particularidades e seus aprendizados. Logo quando cheguei a Valencia, achava muito estranho escutar no metrô, por exemplo, duas pessoas conversando entre si, porém cada uma numa língua diferente. Como aqui são dois os idiomas oficiais, o espanhol e o valenciano/catalão, é muito comum ver pessoas que usam um deles falando com outras que usam o outro. Eu me perguntava: mas se os dois falam os dois idiomas, por que não conversam no mesmo? Mais estranho ainda era abrir jornais de prefeituras daqui ou até mesmo jornais comunitários em que cada notícia vinha numa língua. Sempre achei que deveriam eleger uma delas ou bem publicar todas as reportagens nas duas.
Mas por questões principalmente políticas, mas também pessoais ou simplesmente de conhecimento da língua, cada um opta pela sua e assim as coisas vão acontecendo.
Esquisito? Visto de fora pode até parecer, mas depois de quase dois anos aqui, já entrei no jogo e me vejo muitas vezes na mesma situação. Melhor dizendo, eu pioro a situação. Com o Daniel, por exemplo, um amigo daqui que também fala português, sou capaz de usar os três idiomas ao mesmo tempo. Já tentamos de tudo para combinar pelo menos dias alternados para usarmos cada uma das línguas, mas parece que isso já ficou impossível.
Mudamos de idioma o tempo todo ao longo da mesma conversa. Ele quer treinar o português comigo, eu quero treinar o valenciano com ele, mas muitas vezes temos que recorrer ao castelhano porque temos dúvidas em um dos dois anteriores.
Já na sociedade valenciana a questão não é tão simples como dois amigos praticando uma língua nova. Historicamente perseguido pelo Estado Espanhol, o valenciano ou catalão foi perdendo espaço numa região em que outrora foi um país independente, com sua língua e seus costumes
Durante os anos da última ditadura pela qual

domingo, 12 de abril de 2009
Ponferrada – Villafranca del Bierzo: dolores y mal humor
Saímos de Ponferrada às 9 horas. A informação era de que o trajeto de hoje seria de “somente” 23 quilômetros, caminhando em terreno plano, sem nenhuma dificuldade. Mas sem nenhuma dificuldade para quem?, me pergunto.
Meu joelho doeu mais do que eu esperava. Para piorar, os primeiros quilômetros foram pela rodovia, caminhando pelo asfalto. Os carros e caminhões, ainda que poucos, me incomodavam de uma maneira que não saberia explicar. O trajeto era mal sinalizado e ficávamos por muitos quilômetros sem ver nem sequer uma das setas amarelas que indicam por onde seguir. Tinha vontade de parar. Chorei, de dor e de desânimo.
O Daniel ia um pouco mais à frente e a Laura pouco atrás de mim. Paramos, depois de uns 10 quilômetros, em um povoado que nem olhei o nome. Bebemos água. Acho que se notava na minha cara a pouca vontade de continuar.
Daniel me segurou pela mão. Acho que era o que eu precisava, de força para continuar. Não tinha vontade de falar, mas logo a conversa foi minha aliada e a distração foi o que me fez esquecer um pouco da dor. Lembramos casos de infância, aquelas histórias simples que não saem da nossa cabeça e nos fazem felizes. Cantei “papagaio louro do bico dorado” e outras cantigas de roda que minha mãe me ensinava quando era criança. Lembrei muito da minha família e da minha irmã.
Depois do banho e do almoço, nos fizemos massagens mútuas nas pernas e nos pés. Foi nessa hora que senti pela primeira vez a sensação de ter perdido os reflexos. O Daniel quase morreu de rir quando olhei para ele e perguntei, assim meio sem pensar: Como que é? Era porque eu, sentado, tentava mexer a perna direita de lugar e não conseguia. Demorou uns segundos até que meu cérebro se desse conta dos meus comandos.
Caminhando muito devagar, descemos para jantar na cidade. Passamos em frente ao Castillo de los Marqueses de Villafranca, uma construção do século XVI, de propriedade de um músico, que segundo contam no povoado, mora sozinho lá dentro. Villafranca é muito bonita, mas meu corpo não me permitiu visitar nem mesmo as igrejas históricas.
Na Plaza Mayor, nos encontramos com outros peregrinos, entre eles Marcos e Andrea, um casal de Campinas que tínhamos conhecido na noite anterior. Jantamos todos juntos e rimos muito dos casos de Andrea, que se perdeu quando passava pelos Pirineus, no início do caminho.
Com meus antiflamatórios tomados e rindo da Laura que tinha guardado sua credencial na mochila de outro peregrino, durmo na esperança de um dia melhor amanhã.

sábado, 11 de abril de 2009
Foncebadón – Ponferrada: Surgen los primeros dolores
O início foi complicado, pelo frio. Não viemos preparados para esse clima, ainda mais em plena primavera. Mas o corpo esquentou rápido e imprimi um ritmo forte de caminhada. O Daniel veio junto, mas a Laura acabou ficando para trás em alguns momentos.
Algumas horas depois a neve foi acabando e o clima também mudou. Pegamos um pouco de chuva, houve momentos de sol. Acho que passamos pelas quatro estações do ano num mesmo dia. E foi incrível quando terminamos a grande descida, olhamos para trás e vimos a montanha nevada por onde tivemos que passar. Eu, sicenramente, não podia acreditar.
Paramos para comer em El Acebo, um povoado lindo, onde todas as casas são cobertas por telhados de ardósia. O próximo povoado, Molinaseca, guarda uma ponte da época romana (foto) e as mesmas casinhas de ardósia. Daí para frente já se podia avistar Ponferrada, nosso destino de hoje. E o que parecia muito perto ficou cada vez mais longe. As montanhas nitidamente caminhavam junto conosco e a cidade não chegava. Pensei na minha vida, nos meus sonhos, e em como tudo aquilo parecia me mostrar o difícil e o gostoso que é chegar aos nossos objetivos.
Comecei a sentir o joelho direito, mas não sei bem por que, continuei muito rápido. Atravessar a ponte de Ponferrada me pareceu uma eternidade, mas às 15 horas já estávamos no albergue municipal. Depois do banho, já não conseguia mais dobrar o joelho. Agradeci por termos decidido andar 6 quilômetros mais na etapa de ontem, diminuindo o peso da de hoje.
Mesmo com muita dor, estava animado e saimos a passear. No centro histórico da cidade está o Castillo de los Templarios (foto), uma construção de pedra belíssima, apesar de representar um passado pouco admirado por mim.
Fizemos compras para jantar e tomamos limonada, uma bebida feita de vinho, limão e outros ingredientes macerados, típica da região na época da Semana Santa. A Laura comprou uma joelheira para mim e umas peregrinas do País Basco, que conheci ontem, me deram Voltarem.
Agora à noite a Laura caiu da beliche ao tentar subir e o Daniel quase queimou o cabelo dela com o isqueiro. Vou para cama, entre dores e crise de riso.

sexta-feira, 10 de abril de 2009
Astorga - Foncebadón: nieve y frío
Começamos em Astorga, uma cidadezinha da província de León, com uma catedral em estilo romano impactante e um castelo de pedra ao lado, obra de Gaudi. Saímos às 8h30, debaixo de uma temperatura de 0º e um vento que dificultava um pouco nossos passos. Cantamos, rimos, nos calamos e pensamos.
A neve, que deu sinais de vida a uns dois quilômetros de Rabanal del Camino, chegou como uma surpresa agradável e uma companhia incômoda ao mesmo tempo. Foi maravilhoso ver nevar, a paisagem ficou linda, mas o frio aumentou e os flocos fincavam como agulhas na pele do rosto.
Em Rabanal, que seria nossa primeira meta, tomamos um leite quente, comemos sanduíches e no final decidimos seguir seis quilômetros mais até Foncebadón.
Aqui, nesse povoado quase inabitado, nos alojamos no Domus Dei, uma albergue paroquial muito simples e muito acolhedor. Os hospitaleiros, dois canadenses voluntários, prepararam um jantar que nos deixou a todos supreendidos: caldo de grão-de-bico, feijão branco e lentilhas de primeiro prato, tortilha de batata e espaguete de segundo. Comi mais do que devia. O preço? Um donativo no valor que pudermos pagar.
Agora, depois de 26 quilômetros e 6 horas de caminhada (já descontados os descansos), vou dormir nesse lugar pitoresco, coberto de neve, pensando no que me espera na jornada de amanhã.

quinta-feira, 9 de abril de 2009
Ya soy un peregrino
Passando por Tordesillas, aquela famosa cidade onde Portugueses e Espanhóis assinaram o tratado que dividiu a América, começamos a ser perseguidos pela polícia. Uma moto na frente e outra atrás do nosso carro, fazendo sinal para encostar. Paramos. Adivinhem o motivo! Que vergonha...
Eu, que estava no banco de trás, não tinha o cinto de segurança colocado. Juro que o usei durante os quase 800 quilômetros que viajamos, mesmo porque estava no banco da frente. Passei para trás e na empolgação de ficar mais perto para conversar, esqueci do cinto. O resultado foi 150 euros de multa no meu nome (toca`t les castanyes). Aqui a punição vai para quem não cumpre a regra e não para o motorista.
Bom, amarguras quase esquecidas, chegamos a Astorga às 16h, depois de mais de 10 horas de viagem. A primeira providência foi conseguir a credencial do peregrino, um documento que acredita que estou fazendo o caminho. Em cada albergue por onde durmir ganho um carimbo que comprova que parte do trajeto foi cumprido. Em Santiago recebo, se tiver feito mais de 100 quilômetros, a Compostela, uma espécie de diploma com uma bénção do Vaticano para os peregrinos.
Esta noite dormiremos no Albergue Municipal de Murias de Rechivaldo. Simples, pequeno e o melhor, de graça.
Fotos: Momento em que o policial fazia a multa, num palm top; Castillo de Gaudi, em Astorga.

quarta-feira, 8 de abril de 2009
La preparación

segunda-feira, 6 de abril de 2009
“Minha Espanha é assim...” en el Camino de Santiago
Essa vontade de andar meio sem rumo, de chegar não sei muito bem onde, já faz parte da minha história. Talvez por isso já me considere um pouco “peregrino da vida”. Mas agora a coisa será mais séria.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Valencia pide mejoras en la educación
Com o lema Amb aquesta educació, Font de Mora dimissió (Com essa educação, Font de Mora à demissão), a marcha, organizada pela Plataforma per l´Ensenyament Públic , pedia ao secretário de educação, Alejandro Font de Mora, mudanças em vários pontos estratégicos do sistema de ensino valenciano.Mas a questão mais polêmica e que causou a irritação da comunidade escolar foi a recente decisão do PP que obriga que a disciplina Educação para a Cidadania seja lecionada em inglês.
Com o discurso de incentivar o multilinguismo, o PP parecia ter encontrado a desculpa perfeita para boicotar a disciplina, nova no país, e com pautas muito modernas para o partido conservador. O projeto que aprovou o ensino da Educação para a Cidadania é nacional, comandado pelo Partido Socialista (Psoe), que governa a Espanha. Mas como a educação é competência das Comunidades Autônomas (como os Estados, no Brasil), o governo valenciano decidiu implantá-la em inglês.
Pelo que eu li na imprensa e pelo que escutei durante a manifestação, poucos estudantes tem nivel suficiente para estudarem uma matéria em inglês. A consequência disso é que a maioria deles foram reprovados.
* Os organizadores da manifestação calcularam 100 mil pessoas. Eu acho que acreditei mais neste número, porque era muita gente pelas ruas do centro da cidade.
