quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Perdido en España



Diz o ditado que mineiro não perde o trem. Mas ninguém falou nada sobre confundir-se e pegar o trem errado. Eu, como bom mineiro, faço de tudo para chegar na hora certa e, na pressa, acabo cometendo alguns erros. O último me colocou numa situação bastante engraçada (para não falar ridícula).

Tive que viajar, na segunda passada, para Castellón, uma cidade a menos de 70 quilômetros daqui de Valencia (cerca de uma hora de trem). Fui participar de um congresso de Direitos Humanos, na Universidad Jaume I e teria que chegar às 10 horas ao meu destino.

Saí de casa ainda de madrugada, às 8h05 da manhã. Sim, era de madrugada, já que o sol ainda não tinha nascido. Para mim, se não há sol, não amanheceu. E aqui, nesta época do ano, o astro-rei só das as caras lá pelas 8h30. Antes disso está tudo escuro.

Mas voltando ao caso, me encontrei com a Júlia, também brasileira, no metrô e fomos para a estação Valencia-Nord, do trem. Ali pegaríamos embarcaríamos às 8h50 para Castellón.

Como tínhamos tempo, aproveitamos para tomar café lá na estação. E quando eu ainda estava terminando de comer meu “bocadillho de totilla de patata”, escutamos a chamada anunciando a partida do próximo trem.

Não sei onde estávamos com a cabeça, mas fomos para o local de embarque e entramos no primeiro vagão que vimos. Até agora me pergunto o que ou em quem estava pensando naquele momento, que não olhei nome, destino, nada.

Na primeira parada depois de Valencia escuto pelos auto-falantes: Alfafar. Parei, refleti e comentei com minha amiga: Alfafar está ao Sul de Valencia e não ao norte, que é para onde teríamos que estar indo. Ela não acreditou em mim. Fiquei com a pulga atrás da orelha.

Na parada seguinte vi na plaquinha a seta indicando o destino Gandia, cidade que tenho certeza absoluta que está no sentido contrário de Castellón, por já passei por lá. Deu crise de riso. Olhava para Júlia e não fazia outra coisa senão rir. Ela também começou a rir e a perguntar o que íamos fazer.

Como se não bastasse a lerdeza, com a crise de riso deixamos passar uma estação mais e só fomos descer na seguinte, em Cilla, mesmo assim depois de confirmar com um cara que estava no trem se realmente estávamos no lugar errado.

Descemos, esperamos uns 20 minutos, voltamos para Valencia, esperamos não sei quantos mais, e fomos para Castellón. Chegamos 2 horas e meia atrasados. Menos mal que não passou nenhum fiscal, porque não compramos outro bilhete para refazer os trajetos.

No dia seguinte, segundo dia de congresso, estávamos Júlia, Adelson (outro brasileiro) e eu, no mesmo bat-horário, no mesmo bat-local. Com uma certeza absoluta que desta vez faríamos tudo certinho.

Prestamos atenção no número da via, local de embarque, tudo. Entramos. Pouco tempo depois entraram, no mesmo vagão, três outras três conhecidas nossas, todas espanholas. Conversamos um pouco e eu acabei dormindo, estava morto.

No meio do meu sono, com um cachecol enrolado no rosto para tapar o olho, alguém me desperta e pergunta para onde vou. Era a fiscal, que confere os bilhetes. Respondi que iria para Castellón e não podia acreditar quando me disse que aquele trem não ia para este destino. Parecia brincadeira. Eu perguntei pelo menos umas três vezes se ela não estava brincando comigo. E não estava.

Tínhamos pegado no trem errado uma vez mais. O nosso estava na mesma via, mas atrás do que entramos. Pelo menos estávamos na mesma direção e tivemos apenas que descer e tomar o seguinte, que completaria o caminho.
(Fotos da estaçao aqui de Valencia, por dentro e por fora.)

8 comentários:

Jove disse...

Esse é meu amigo Savi e sua lerdeza inconfundível... rsrsrsrs
LERRRRRRRRRRRRDOOOOOO

saudade, de ti!

Carlos disse...

Aqui no Brasil, mais precisamente em Minas Gerais, usamos um velho ditado (na verdade, em todo território nacional os ditados populares são ditos com frequência, mas em Minas em maior quantidade) "casa de ferreiro, espeto de pau". Você, Saviano, deve estar se perguntando: O que tem haver esse ditado com a situação? Ora bolas, você um Jornalista, curioso por natureza e por profissão, nao tem a capacidade de perguntar antes? E pra piorar, você é mineiro uai so! (todo mineiro é desconfiado) So me resta rir, e muito, de suas aventuras "por terras nunca antes passeadas". Ah, desse blog aqui vai acabar saindo um livro! Abraços

vanessa disse...

kkkkkkkkkkkkkk.....
Por isso que falo que morro de rir das suas histórias.... sem noção!!!
Ai Savi.... pegar o trem errado, dois dias seguidos e ainda indo para o mesmo lugar.... é d++. Onde você tava com a cabeça???? Se eu não te conhecesse tão bem até ficaria com dó.... A lerdeza continua a mesma neh... rsrsrs.
Vê se presta mais atenção hein!!!
T +++
Bjus

DEIA disse...

Oi Savi!Demorei mas tô aqui,adorei as suas histórias,é bom saber q vc tá se divertindo tb,essa do trem foi ótima,só vc mesmo pegar o trem errado duas vazes seguidas...rsrsrs ABRAÇÃO....

Saviano Abreu disse...

Jove, vc adora me chamar de lerdo, ne?? Eu não consigo entender por quê?? rsrsrs
Cacá, não tenho tantas pretensões. Para um livro tenho que me dedicar muito mais. Tenho escrito pouco.
Vanessa, vc tb me chamando de lerdo? que coisa!!"
Déia, que bom te ver por aqui. Apareça mais vezes.

Henrique Felippe disse...

Olha, que história hilária... rindo demais aqui.. e olha que não é Minas, é no Rio.. rs Mas fala sério, quem nunca passou um "perrengue" que atire o primeiro bilhete de trem... hihihi

Muito bom cara... muito bom...

Henrique
Vai Vendo...
http://henryfelippe.blogspot.com/

Saviano Abreu disse...

henrique, eu tenho um problema com os transportes publicos.. sempre arrumo alguma maneira de fazer algo errado.. o lado bom eh conhecer lugares que talvez nunca iria.rsrsrs

Anônimo disse...

Henrique, eu vou para Valencia fazer um doutorado e tenho uma dúvida. Meu voo chega em Barcelona e preciso ir para Valencia no mesmo dia. Não faço a mínima idéia como faço.

Se puder me mandar um emial dando umas dicas, ficarei imensamente grato. Meu email é thiago_paluma@hotmail.com