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sexta-feira, 10 de abril de 2009

Astorga - Foncebadón: nieve y frío

O primeiro dia de caminhada me deixou com aquela sensação gostosa de meta cumprida e com muita vontade de continuar. Não sei se pela companhia – Laura e Daniel, uma valenciana e um valenciano muito especial –, se pelas pessoas que fui conhecendo pelo caminho, se pela paisagem ou pela junção de tudo isso, mas sinto uma alegria por dentro difícil de explicar.

Começamos em Astorga, uma cidadezinha da província de León, com uma catedral em estilo romano impactante e um castelo de pedra ao lado, obra de Gaudi. Saímos às 8h30, debaixo de uma temperatura de 0º e um vento que dificultava um pouco nossos passos. Cantamos, rimos, nos calamos e pensamos.


A neve, que deu sinais de vida a uns dois quilômetros de Rabanal del Camino, chegou como uma surpresa agradável e uma companhia incômoda ao mesmo tempo. Foi maravilhoso ver nevar, a paisagem ficou linda, mas o frio aumentou e os flocos fincavam como agulhas na pele do rosto.


Em Rabanal, que seria nossa primeira meta, tomamos um leite quente, comemos sanduíches e no final decidimos seguir seis quilômetros mais até Foncebadón.


Aqui, nesse povoado quase inabitado, nos alojamos no Domus Dei, uma albergue paroquial muito simples e muito acolhedor. Os hospitaleiros, dois canadenses voluntários, prepararam um jantar que nos deixou a todos supreendidos: caldo de grão-de-bico, feijão branco e lentilhas de primeiro prato, tortilha de batata e espaguete de segundo. Comi mais do que devia. O preço? Um donativo no valor que pudermos pagar.


Agora, depois de 26 quilômetros e 6 horas de caminhada (já descontados os descansos), vou dormir nesse lugar pitoresco, coberto de neve, pensando no que me espera na jornada de amanhã.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ya soy un peregrino

Fui multado. É sério! A última coisa que pensei que pudesse me acontecer durante o Caminho de Santiago seria uma multa, mas aconteceu. Explico: de Valencia até Astorga, onde começamos nossa caminhada pelo trajeto Francês (o mais tradicional dos vários que existem) vim de carro com meus companheiros de viagem.

Passando por Tordesillas, aquela famosa cidade onde Portugueses e Espanhóis assinaram o tratado que dividiu a América, começamos a ser perseguidos pela polícia. Uma moto na frente e outra atrás do nosso carro, fazendo sinal para encostar. Paramos. Adivinhem o motivo! Que vergonha...

Eu, que estava no banco de trás, não tinha o cinto de segurança colocado. Juro que o usei durante os quase 800 quilômetros que viajamos, mesmo porque estava no banco da frente. Passei para trás e na empolgação de ficar mais perto para conversar, esqueci do cinto. O resultado foi 150 euros de multa no meu nome (toca`t les castanyes). Aqui a punição vai para quem não cumpre a regra e não para o motorista.

Bom, amarguras quase esquecidas, chegamos a Astorga às 16h, depois de mais de 10 horas de viagem. A primeira providência foi conseguir a credencial do peregrino, um documento que acredita que estou fazendo o caminho. Em cada albergue por onde durmir ganho um carimbo que comprova que parte do trajeto foi cumprido. Em Santiago recebo, se tiver feito mais de 100 quilômetros, a Compostela, uma espécie de diploma com uma bénção do Vaticano para os peregrinos.

Esta noite dormiremos no Albergue Municipal de Murias de Rechivaldo. Simples, pequeno e o melhor, de graça.

Fotos: Momento em que o policial fazia a multa, num palm top; Castillo de Gaudi, em Astorga.